Ir para o conteúdo
Fernanda Bueno Massoterapia

4 min de leitura

Terapêutica ou relaxante: qual é a sua?

A diferença entre os dois tipos de massagem não está nas manobras. Está no que a gente combina antes de começar.

Mãos de massoterapeuta trabalhando as costas de uma pessoa deitada, em luz quente
Foto de THLT LCX no Unsplash

Quase toda pessoa que me procura chega com a mesma dúvida: “eu preciso da terapêutica ou da relaxante?”. E quase sempre a resposta é diferente do que ela imagina.

As manobras são quase as mesmas

Deslizamento, amassamento, fricção, percussão: o repertório de movimentos é praticamente o mesmo nos dois casos. Se você assistisse às duas sessões de fora, sem áudio, teria dificuldade em dizer qual é qual.

A diferença está na condução: na intenção de cada manobra, no tempo que eu passo em cada região, na pressão que eu escolho e, principalmente, no objetivo que a gente combina antes de você deitar na maca.

A terapêutica tem alvo

Existe uma queixa: o pescoço que trava ao dirigir, o ombro que dói desde que você mudou de cadeira, a lombar que não deixa você ficar em pé na fila do mercado.

Nessa sessão eu passo mais tempo numa região específica, uso pressão mais firme onde a musculatura está tensa ao toque e trabalho os pontos que se formaram ali. A conversa antes é mais longa, porque eu preciso entender quando começou, o que piora e o que já foi tentado.

É a sessão de quem chega apontando para um lugar do corpo.

A relaxante busca um estado

A relaxante não persegue um ponto. Ela persegue um estado.

Movimentos mais longos, ritmo constante, pressão média, pouca conversa durante. O objetivo é tirar o sistema nervoso do modo de alerta em que ele passou a semana inteira. A coisa que eu mais ouço de quem faz é que dormiu melhor naquela noite. É o efeito que a gente procura, sem garantia de que ele venha, porque sono depende de muita coisa além da massagem.

É a sessão de quem chega dizendo “eu não tenho uma dor específica, eu só estou exausta”.

E se eu tiver os dois problemas?

Você provavelmente tem. A maioria das pessoas tem.

Por isso eu não trato isso como um cardápio de onde você escolhe um item. Na ficha eu pergunto qual é o seu maior objetivo e qual região você quer que receba mais atenção. Com essas duas respostas eu monto a sessão, e quase sempre é uma mistura, com mais de um lado do que do outro.

Você não precisa chegar sabendo o nome da técnica. Você precisa chegar sabendo o que está te incomodando. O nome é problema meu.

Sobre o ácido lático, já que alguém vai te contar

Você provavelmente já ouviu que a massagem “tira o ácido lático” ou “elimina toxinas”. Eu ouvi isso no meu próprio curso.

Não é verdade, e prefiro te dizer.

O lactato volta ao normal em menos de uma hora depois do esforço, muito antes de a dor do dia seguinte aparecer. E ele nem é lixo: é combustível que o corpo reaproveita. Quando mediram, a massagem não acelerou nada disso.

O que ela faz, e isso a literatura sustenta, é agir sobre o sistema nervoso: muda a forma como você percebe a dor, ativa a resposta de descanso do corpo e reduz a ansiedade. É um mecanismo diferente do que te contaram, e não é menos real por isso.

O que nenhuma das duas faz

Nenhuma das duas substitui consulta, exame, diagnóstico ou tratamento médico. Massoterapia é cuidado complementar: ela trabalha muito bem ao lado de um tratamento, e muito mal no lugar dele.

Se a sua dor é forte, se apareceu de repente, se irradia para o braço ou para a perna, se vem com formigamento ou perda de força, procure um médico primeiro. Depois a gente conversa sobre a massagem.

Continue lendo

Agendar